N. 19 – Belém/PA - Novembro/Dezembro - 2014

Mulheres e Empoderamento: um debate necessário

Maria Luzia Miranda Álvares

O conceito de empoderamento [1], nos vários campos da ciência, tornou-se eixo central dos debates sobre os temas da inclusão/exclusão dos sujeitos sociais (grupos minoritários, comunidades etc) aspirantes a uma identidade construída por meio da participação no poder público, considerando-se que “empoderarse significa que las personas adquieren el control de sus vidas, logran la habilidad de hacer cosas y de definir sus propias agendas. Al relacionarse con los intereses de los desposeídos de poder, el término se toma como expresión de un cambio deseable, sin ahondar en las especificidades que tal cambio implica; es decir, sin precisar su significado” (LEÓN, Magdalena,2001, p. 96).

No contexto dessa conceituação, nas últimas décadas, têm sido avaliados, em âmbito internacional, nacional e local, os déficits das mulheres no plano das normas institucionais e no da cultura. E nessa intenção, incluem-se agendas teórico-metodológicas visando à conscientização delas para que pleiteiem demandas especificas para saírem da pobreza, assim também o autorreconhecimento do poder adquirido na conquista de capital social, visto que o processo de empoderamento demanda informação qualificada que lhes assegure maior conhecimento e  autonomia decisória  a respeito do que querem alcançar - mesmo que  a isso se oponham resistências -, e desse modo possam  usufruir substantivamente os direitos à cidadania ( nesta acepção, cf. FRIEDMANN, 1996;  J. ROWLANDS, 1997 apud LÈON, 2001; PERKINS e ZIRMMERMAN,1995, p.1, apud HOROCHOVSKI & MEIRELLES).

Segundo concepção feminista, essa perspectiva emancipatória tem sido referendada por meio dos movimentos de mulheres e teorias das ciências sociais, estimulando a ruptura tanto dos esquemas de representação da sociedade às mulheres quanto das estruturas de poder que as mantêm subjugadas ao domínio patriarcal, quer no espaço privado; quer no público.

Neste sentido também, Magdalena León(2001), no texto “El Empoderamiento de las Murjeres: encuentro del primer tercer mundos em los de género”, refere que o empoderamento, além de ser um processo de superação da desigualdade de gênero, ele  “ é diferente para cada individuo ou segundo sua vida, contexto e historia, e segundo a localização e a subordinação na pessoa, familiar, comunidade, país, região ou global...”.

Em síntese, compreendido assim, o empoderamento da mulher se fundamenta em uma nova concepção de aquisição de poder, no âmbito individual e coletivo, e se justifica como forma de construção da identidade dinâmica.

[1] - Na América Latina, o primeiro registro que se tem de uma oficina utilizando explicitamente o conceito e a metodologia específica é em 1995, no Curso de Pós-Graduação em Ciências Sociais (México).

Maria Luzia Miranda Álvares é Doutora em Ciência Política, Coordenadora do GEPEM/UFPA e uma das pioneiras dos estudos de mulher e gênero, no Pará, desenvolvendo trabalhos sobre a temática feminismo, mulher e gênero, com incursões sobre o entrelaçamento das representações socioculturais nas estruturas de poder.

Imagens e texto extraídos de relatórios de pesquisa e de PPS elaborados pela autora.