N. 19 – Belém/PA - Novembro/Dezembro - 2014

Vozes Paraenses na Cúpula Mundial de Mulheres e Famílias

Eunice Ferreira dos Santos

No Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em junho do ano em curso, convidados/as especiais, palestrantes e ouvintes participaram da agenda de trabalho da I Cúpula Mundial de Mulheres e Famílias da América Latina- Edição Belém do Pará, sendo o primeiro evento desse gênero em território brasileiro. Com apoio do Governo do Estado e de várias instituições parceiras locais, foi promovido pela WIN (Women's Information Network), representada por Paula Fellingham, e coordenado por Daniella d’Avila, diretora executiva do Fórum Global no Brasil. Entre as metas da Global Womens' Summit (Forum Internacional de Mulheres), inclui- se a  criação do Centro Internacional para a Paz e o Desenvolvimento, proposta a ser apresentada à ONU com apoio do embaixador Mokhtar Lamani.

Segundo Daniella d’Avila, por meio dos Summits é  possível conhecer a realidade local, no sentido de“como pensa e vive a mulher brasileira”, e assim fomentar parcerias e divulgação de “novos projetos de mulheres para mulheres e suas sociedades”. Neste sentido, “a missão da WIN é criar colaborações de longo prazo para viabilizar e potencializar ações de mulheres no mundo inteiro através de parcerias nacionais e internacionais contando com os programas já existentes na WIN, entre outros, com ênfase na educação e no empreendedorismo”.

Nessa intenção, a temática central do evento, com abrangência homônima em 172 países, instigou os/as participantes a refletirem sobre “como podemos viver com dignidade e contribuir para o bem-estar de mulheres e famílias no mundo inteiro”? Esse questionamento-chave se desdobrou em debates sobre o “fortalecimento do papel das mulheres para o crescimento da paz e do desenvolvimento”, reconhecendo as próprias singularidades e, ao mesmo tempo, respeitando as diferenças.

Na culminância das discussões, o exame conjunto dos temas pela ótica de representantes de vários segmentos sociais, acadêmicos e religiosos, entre outros, suscitou uma questão prática: o que fazer para o enfrentamento aos principais desafios das mulheres e famílias, no Estado do Pará? A esta proposição, seguiram-se relatos de experiências exitosas e recomendações para identificação dos entraves e qualificação de soluções, assumindo-se tais iniciativas como compromisso individual, coletivo e institucional.

Três singularidades, três diferenças, três mulheres paraenses

A Global Women's em cada  Summit convida 15 mediadoras de painel e 3 palestrantes, além de eleger 5 mulheres as quais são premiadas  pelo excelente trabalho na  respectiva área de atuação.  Neste sentido, para a agenda de trabalho da I Cúpula Mundial de Mulheres e Famílias da América Latina- Edição Belém do Pará, entre outras, Maria Luzia Álvares e Lília Silvestre Chaves participaram do painel “de que maneira você gostaria de ver o papel das mulheres fortalecido para o crescimento da paz e do desenvolvimento na sua comunidade, na sua nação, no mundo? A primeira mediadora analisou a questão pelo enfoque da ciência política, vinculado às teorias de gênero como categoria social; a segunda expositora referiu a contribuição das mulheres à literatura como possibilidade de discurso cultural e ideológico. Na sequência da programação, convidadas especiais foram laureadas com o “Mulheres de Liderança Global”, prêmio concedido, entre outras, à poeta Dulcinéa Lobato Paraense.

O convite às três paraenses mencionadas deveu-se às especificidades de suas atuações, conforme breve perfil de vida e obra a seguir:

Maria Luzia Miranda Álvares é Professora da Universidade Federal do Pará, Doutora em Ciência Política, Coordenadora do GEPEM/UFPA. É uma das pioneiras, no Pará, de estudos e pesquisas tematizando feminismo, mulher e gênero, com incursões sobre o entrelaçamento das representações socioculturais nas estruturas de poder. Sobre essa temática, é autora de vários livros e artigos publicados. Também é cronista, jornalista e crítica de cinema, atuando no “O Liberal”.

Dulcinéa Lobato Paraense é bacharel em Ciências Jurídicas, poeta, pianista e cantora lírica. Estreou como articulista escrevendo para os jornais O Estado do Pará e Folha do Norte. Publicou vários poemas nas revistas Guajarina, A Semana, Pará Ilustrado, Brasileis, Terra Imatura, Novidade. Em 2011, sob patrocínio da Secretaria de Cultura do Pará e coordenação de Lília Silvestre Chaves, a escritora publicou, aos 93 anos, o livro Dulcinéa Paraense a Flor da Pele – antologia contendo 123 poemas escritos entre 1933 /1986.

Lília Silvestre Chaves é Doutora em Letras, com ênfase em Literatura Comparada; Professora da Universidade Federal do Pará; tradutora e artista plástica premiada em concursos no Brasil e no exterior. Como poeta e ensaísta, participou de várias antologias. Recentemente: publicou E Todas as Orquestras Acenderam a Lua, livro de poemas prefaciado por Benedito Nunes; e organizou  a aantologia poética  Dulcinéa Paraense a Flor da Pele.

Eunice Ferreira dos Santos é Professora da Universidade Federal do Pará (UFPA). Graduada em Letras, Mestra em Teoria Literária, Doutora em Letras (UFMG). Vice-Coordenadora do GEPEM, Coordenadora do GT-Gênero, Arte/Literatura e Educação(GEPEM) e da pesquisa Autoria Feminina na História Literária do Pará: diálogos com a educação básica.

Imagens
(Acervo Gepem):

Foto 1:Painel sobre fortalecimento do papel das mulheres para o crescimento da paz e do desenvolvimento.   À direita: Maria Luzia Álvares, coordenadora do Gepem (1º. plano); escritora Lília Silvestre Chaves(3º.plano).  Na sequência, Daniella d’Avila (4º.plano), ladeada pelas demais mediadoras.

Foto 2: Assessorada por Lília Silvestre Chaves, a escritora Dulcinéa Paraense (94 anos), uma das homenageadas, lê poema autoral em agradecimento ao prêmio “Mulheres de Liderança Global”.

Serviço: www.thewinonline.com (Women's Information Network); www.globalwomenssummits.com (Fórum).