N. 19 – Belém/PA - Novembro/Dezembro - 2014

Escrituras das Mulheres Paraenses: tons e semitons

Eunice Ferreira dos Santos

 

Pesquisas sobre os percursos literários de escritoras paraenses, realizadas no âmbito do GEPEM, evidenciam a existência de um potencial acervo autoral publicado em livros e periódicos, tanto em nível local quanto nacional. Acerca dessa expressiva produção, entretanto, há escassos registros na história literária do Pará—o que, de certa forma, tem dificultado estudos sobre esse legado cultural e a circulação das obras nos espaços de formação de leitores/as, sobretudo, nas instâncias universitária e escolar.

É nesta constatação que se fundamentam a finalidade e os objetivos da seção Autoria Feminina na História Literária do Pará, pretendendo ser um espaço de divulgação, interlocução e formulação de saberes sobre a singularidade dessa escritura no contexto amazônico. Nesse sentido, em cada edição do Iaras serão incluídas referências ao perfil intelectual, à poesia e à prosa ficcional  de três escritoras, dentre as catalogadas no acervo da CASAEPA/GEPEM*.

Escritoras Paraenses: perfil de vida e obra

  • Laura de Almeida Sequeira

Nasceu em Belém do Pará. Desde muito jovem dedicou-se às Letras. É poeta, contista e cronista. Tem sido laureada com destaques e menções especiais, em vários concursos literários nacionais. Publicou dois livros - No Tempo e no Espaço (Poemas); Retratos e Lendas (Contos) - e, em jornais, antologias e revistas,  cerca de seiscentas publicações entre poemas, contos, crônicas, trovas e artigos.  É uma das fundadoras da AJEB-Pará e destacou-se como membro do Conselho Consultivo da Associação Paraense de Escritores (APE) e da União Brasileira de Trovadores ( UBT).

No Tempo e no Espaço (1984) é uma antologia poética de nuance política, mesclada de humor e sátira. Retratos e Lendas (1985) é uma coletânea de contos fantásticos amazônicos cujas histórias acontecem numa ambiência onírica. A narrativa é linear, na qual os personagens vivenciam situações conflituosas, e o jogo ficcional é feito pela analogia de palavras e expressões, provocando estímulos sinestésicos.

  • Sandra Maria Alves de Melo

Nasceu em Belém/PA (1952). É poeta, ensaísta, cronista e contista. Tem trabalhos publicados em Antologias e em vários periódicos. Filiou-se à Associação Paraense de Escritores (APE), à Associação de Escritores e Jornalistas do Brasil (AJEB- Seção Pará), à Academia Castro Alves de Letras (BA), ao Clube Literário Brasília, à Casa do Poeta de Amparo (SP). Várias vezes premiada em concursos literários. Publicou: Meu Velho Soldado (Conto/1987), Meg-Lu, o Espelho das Almas (Romance/1988), O Branco Lírio (Conto/90). O Menino Catitu (Conto, 1993).

A prosa ficcional de Sandra Melo se caracteriza por uma narrativa na qual a animais e a coisas inanimadas são atribuídas ações próprias de seres humanos, a exemplo, Meg-Lu, o Espelho das Almas, romance de cunho filosófico cuja protagonista é Meg, uma “cadela cor de mel” que possui atitudes humanas e em torno da qual é dinamizado um universo de seres fantásticos, dando à narrativa e ao romance um toque abstracionista e surrealista.

  • Sylvia Helena Tocantins de Mello Eder

Nasceu em Belém (1933). É romancista, contista, cronista e poeta. Membro da Academia Paraense de Letras, cadeira nº 12(APL); Academia Petropolitana de Poesia Raul de Leoni (RJ); Academia Barbacenense (MG); Academia Castro Alves de Letras (BA); Academia Internacional de Ciências, Letras, Artes e Filosofia. É filiada à Asociación Mundial de Mujeres Periodistas e Escritoras (AMMPE/México) e à União Brasileira de Escritores (UBE/SP). Foi diretora da biblioteca Acylino Leão/APL (1989-1993). Presidiu a AJEB/Pará e a Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil (AJEB) e fundou as coordenadorias da AJEB do Pará, Rio Grande do Norte e Bahia. Tem sido premiada em vários concursos literários. Possui textos publicados em diversos jornais, revistas e antologias. Entre os livros, contabiliza-se: Respingos da Maresia (1982- Poemas); As Ruínas de Suruanã (1987- Romance); No Tronco da Sapopema (1998-Crônicas); A Lenda do Amor Eterno (Romance- 2005). É organizadora do livro Ajebianas no Voo da Palavra(1993), coletânea de biografias, contos, crônicas e poemas brasileiros. Assumiu literariamente o nome resumido Sylvia Helena Tocantins e algumas vezes o pseudônimo de Suruanã.

As Ruínas de Suruanã (1987) é um romance naturalista e o primeiro de uma trilogia sobre a linguagem nativa dos índios nheegaíbas e sobre o folclore e costumes característicos da região Amazônica. Foi premiadíssimo em vários concursos literários e considerado um dos seis melhores romances publicados no Brasil, no período de 1980-1990.

Eunice Ferreira dos Santos é Vice-Coordenadora do GEPEM e Doutora em Letras, área de concentração Literatura Comparada.
Para acesso ao acervo, contatar: (91) 3201-8215; 3228-3924; 8158-7129 ou Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ; Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ; Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.