N. 19 – Belém/PA - Novembro/Dezembro - 2014

Pesquisadora do Neim Recebe Prêmio Bertha Lutz 2012

O Diploma ou Prêmio Bertha Lutz recebeu esse nome em homenagem à pioneira do feminismo no Brasil, reconhecida por sua luta pelo direito ao voto feminino (1932). Foi proposto pela senadora Serys Slhessarenko e instituído pela Resolução 2/2001 do Senado Federal, com base em Projeto de Resolução de 1998 apresentado pela Senadora Emilia Fernandes. É conferido, anualmente, para agraciar cinco mulheres que se destacaram por relevante contribuição na defesa dos direitos da mulher e questões de gênero, sendo a indicação das homenageadas avaliada pelo Conselho do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, atualmente presidido pela senadora Vanessa Grazziotin.

Durante a sessão solene de celebração ao Dia Internacional da Mulher e aos 80 anos do voto feminino, e recepcionadas por vários discursos, cinco brasileiras escolhidas pelo Senado receberam o prêmio Bertha Lutz 2012 em reconhecimento ao trabalho que realizaram em defesa de uma maior participação feminina na sociedade. Neste sentido, além de Ana Alice Costa, também foram homenageadas: Dilma Rousseff, presidenta do Brasil; Maria do Carmo Ribeiro, militante comunista e viúva de Luiz Carlos Prestes; Eunice Mafalda Michiles, primeira mulher a ocupar uma vaga no Senado Federal;  Rosali Scalabrin, socióloga  representante da Comissão Pastoral da Terra e titular da Coordenadoria da Mulher do Município de Rio Branco (AC).

Ana Alice Alcântara Costa, desde 1982, é Professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), vinculada ao Departamento de Ciência Política e ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres. O ativismo político de Ana Alice iniciou por volta de 1970 em plena ditadura militar no Brasil, período em que se integrou ao movimento estudantil participando intensamente das lutas por democracia, direitos humanos e educação pública, laica e de qualidade. Em seguimento às teses defendidas sobre a conquista da cidadania feminina, como mestranda de Sociologia Política (Universidade Nacional Autônoma do México), ingressou no Movimiento de Liberación de La Mujer, organização mexicana, permanecendo neste ativismo até 1981. Retornando ao Brasil, filiou-se ao Grupo Feminista Brasil Mulher, Secção Bahia (o primeiro no Estado). Além disso, juntamente com outras colegas feministas, em 1983, criou o Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM/UFBA)- o segundo das universidades brasileiras-- e, em 1992, a Rede Feminista Norte e Nordeste de Estudos sobre a Mulher e Relações de Gênero (REDOR), agregando os Núcleos e Grupos de Estudos afiliados, vinculados às instituições de ensino superior e de pesquisa das duas regiões*.

Sobre Ana Alice Alcântara Costa, consultar também as Seções: Apresentação, Intercâmbio, Entrevista.


MULHERES HOMENAGEADAS COM O PRÊMIO BERTHA LUTZ ( 2001-2012).

2001/2002: Luiza Erundina, Deputada Federal (PSB-SP); Maria Berenice Dias, desembargadora do Rio Grande do Sul; Maria Isabel Lopes, secretária municipal de Fortaleza; Heleieth Bongiovani Saffioti, socióloga e professora de São Paulo; Herilda Balduíno de Sousa, advogada do Distrito Federal.

2002/2003: Emília Fernandes, Secretária Especial de Políticas para as Mulheres; Raimunda Gomes da Silva, quebradeira de babaçu no Tocantins; Nair Gomes de Castro, empregada doméstica no Rio de Janeiro e fundadora de uma das primeiras associações da categoria; Nazaré Gadelha, advogada que milita na área de Direitos Humanos no Acre; Sueli Carneiro, militante dos movimentos Negro e Feminista em São Paulo.

2003/2004: Eva Sopher, presidenta da Fundação Theatro São Pedro, de Porto Alegre; Maria Gleyde Martins Costa, do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher, de Roraima; Mônica Maria de Paula Barroso, que trabalha como defensora pública em Fortaleza; Maria Aparecida Schumaher, do Movimento de Defesa dos Direitos da Mulher, no Rio de Janeiro; Zuleika Alambert, feminista, escritora, conferencista e política com atuação em Santos (SP).

2004/2005: Clara Charf, do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher; Maria da Penha Maia Fernandes, farmacêutica que lutou para que o marido que tentou matá-la fosse condenado e, assim, inspirou a Lei Maria da Penha; Palmerinda Donato, jornalista; Rozeli da Silva, gari, idealizadora do Centro Infantil Renascer da Esperança de apoio a crianças carentes de Porto Alegre; Zilda Arns, coordenadora da Pastoral da Criança.

2005/2006: Elizabeth Altino Teixeira, sobrevivente das Ligas Camponesas na Paraíba; Geraldina Pereira de Oliveira, trabalhadora rural do Pará; Rosmary Corrêa, advogada e deputada estadual de São Paulo; Jupyra Barbosa Ghedini, funcionária pública federal; Yawanawa Raimunda Putani, pajé indígena, do Acre.

2006/2007: Mãe Beata de Iemanjá, Iyalorixá do Rio de Janeiro; Suely Batista dos Santos de Mato Grosso; Moema Libera Viezzer (Paraná); Maria Yvone Loureiro Ribeiro (Alagoas); Ivana Farina Navarrete Pena (Goiás).

2007/2008: Alice Editha Klausz; Maria dos Prazeres De Souza; Jandira Feghali; Mayana Zatz; Rose Marie Gevara Muraro.

2008/2009: Lily Marinho; Sônia Maria Amaral Fernandes Ribeiro; Elisa Lucinda Campos Gomes; Neide Viana Castanha; Cléa Anna Maria Carpi da Rocha. Ruth Corrêa Leite Cardoso (in memoriam).

2009/2010: Leci Brandão da Silva; Maria Augusta Tibiriçá Miranda; Cleuza Pereira do Nascimento; Andréa Maciel Pachá; Clara Perelberg Steinberg. Fani Lerner (in memoriam). Maria Lygia de Borges Garcia (homenagem especial).

2010/2011: Maria Liége Santos; Chloris Casagrande Justen, pedagoga, participou do Conselho Estadual de Educação do Paraná e é filiada à ONG Soroptimista, destinada a prestar serviços para melhorar as condições de vida das mulheres. É vice-presidente da Academia Paranaense de Letras; Maria José da Silva, criou a Associação de Moradores do Conjunto Bento Ribeiro Dantas, no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, onde atua na área da coleta seletiva e reciclagem, voltada para a inclusão social dos catadores de materiais recicláveis; Maria Ruth Barreto Cavalcante, psicopedagoga graduada na Escola de Pedagogia de Colônia (Alemanha), em 1967, foi presa pelos militares quando preparava grupos de universitários treinados para alfabetizar adultos; Carmen Helena Ferreira Foro, primeira mulher a assumir um cargo de direção em uma central de trabalhadores no Brasil, como vice-presidenta da Central Única dos Trabalhadores. Ana Maria Pacheco de Vasconcelos (in memoriam).

2011/2012: Dilma Roussef, primeira Presidenta do Brasil; Maria Prestes, ex-mulher do dirigente comunista Luiz Carlos Prestes; Eunice Michiles, primeira senadora eleita da história do Brasil; Rosali Scalabrin, representante da Comissão Pastoral da Terra; Ana Alice da Costa, professora associada do Departamento de Ciências Políticas da Universidade Federal da Bahia, criadora do NEIM, Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres.