N. 19 – Belém/PA - Novembro/Dezembro - 2014

Muitas se Afastaram dos Padrões de “Bons Costumes”

Fonte: Revista Querida, 1955

No VII Congresso do Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade (MMCC-PA), o GEPEM foi representado pela Dra. Maria Luzia Álvares, a qual proferiu palestra sobre o tema A Educação na Construção de Novas Culturas de Relações de Gênero. Fazendo referência ao modelo educativo patriarcal, a conferencista enfatizou que as mulheres eram afastadas das formas de culturas modernas e induzidas a “comportamentos femininos” para que as “desviadas” se enquadrassem e as “de bem” se mantivessem no sistema padrão.

Segundo a expositora, o Estado e a sociedade milenarmente mantiveram as evidências do feminino “nas barras da primeira diversidade: a biológica.” E desse modo, estabeleceram que aos homens é inerente a racionalidade, o pensamento lógico, o cálculo; às mulheres: a afetividade, as emoções, a intuição. Essa maneira de pensar o masculino e o feminino determinou as relações de poder assimétricas entre homens e mulheres e reforçou as práticas e representações sociais que demarcaram, entre outros: a estrutura familiar; a educação diferenciada para meninos e meninas; os papéis sociais distintos para homens e mulheres, no espaço público e no privado; as profissões consideradas masculinas ou femininas; a sonegação da cidadania às mulheres pela negação da igualdade de direitos.

Entretanto, conforme a Dra. Luzia Álvares, essa educação patriarcal, ao longo do tempo e em intensas mobilizações pelo mundo inteiro, vem constantemente sendo questionada por meio de denúncias; de conferências internacionais; estudos e pesquisas em variados campos do conhecimento; de movimentos sociais; e de políticas institucionais, reivindicando a participação das mulheres na esfera pública, contestando a repressão no espaço doméstico e no trabalho; e combatendo as várias formas de violência.

Essa perspectiva de lutas, em diferentes momentos e dimensões, aliada à compreensão de que os indivíduos não se constituem por si sós, mas nas interações sociais, tem garantido às mulheres, entre outros empoderamentos, o direito ao voto, acesso a funções públicas, ampliação do mercado de trabalho, qualificação profissional e escolar. E de igual maneira, concorreu para a formulação de novas construções socioculturais, provocando uma releitura sobre a educação patriarcal e desmistificando, gradativamente, segundo a palestrante, a condição naturalizada atribuída à mulher pelo fato de ela ter características biológicas distintas do homem, o que a predestinava à subalternidade, à inferioridade, ao exercício obrigatório da maternidade.

Desse modo, concluiu a conferencista, o modelo de comportamento ideal foi transversalizado pelas atitudes das “mulheres erradas.” E assim, ruíram os comportamentos das “mulheres de bem” determinados pelo sistema patriarcal, à medida que muitas se afastaram dos padrões de “bons costumes.”

Noticiário extraído de texto original e PPS elaborados por Maria Luzia Álvares.

Para composição da Conferência A Educação na Construção de Novas Culturas de Relações de Gênero,  os dados e bibliografia foram extraídos das seguintes fontes:

- PPS - Fundamentos Culturais para Educação em Direitos Humanos/ Rosa Maria Godoy Silveira – História – UFPB  et alii;

- PPS - Apresentação Mulheres Mey - s/autor s/data; Imagens extraídas da internet  em 07/09/2011.