N. 19 – Belém/PA - Novembro/Dezembro - 2014

Aspectos da Trajetória da Professora Ana Ayres do Amaral


João Batista Nascimento

Reproduzo texto que recebi por e-mail de Ademar do Amaral, engenheiro e um dos filhos da Professora Santana.

Filha do português José Cardoso Ayres, farmacêutico de profissão, e de Ana Michilles Ayres, natural da cidade de Maués, Ana Ayres do Amaral, a professora Santana, nasceu em Óbidos em 26 de julho de 1923, no dia em que se comemora a festa de Nossa Senhora Santana, a padroeira do lugar. Em razão desse fato, ela passou a ser conhecida como Santana em toda a cidade.

Fez o curso fundamental em Óbidos, no Colégio São José, das irmãs Clarissas, tendo sido também aluna do celebrado professor José Barroso Tostes. Em 1936, com a irmã Maria e o irmão Manuel Ayres foi continuar os estudos na cidade de Manaus, onde prestou exame de admissão no Ginásio Amazonense Pedro II. Após cursar a primeira série ginasial, no Pedro II, falou mais alto sua vocação para o magistério e ela pediu transferência para a Escola Normal São Francisco de Assis, na qual recebeu o grau de Professora Normalista, em dezembro de 1942, sendo escolhida pelos colegas como oradora da turma.

Professora Normalista, Ana Ayres do Amaral, agora professora Santana, voltou a Óbidos para começar sua carreira no magistério e, em 1943, foi nomeada pelo então governador do Estado do Pará, Magalhães Barata, para lecionar no Grupo Escolar Dr. Corrêa Pinto. Foi assim que, aos 19 anos, ela começou uma dedicada carreira no magistério, estreando com uma turma da segunda série primária.

Em 1947, a professora casou com o fazendeiro Areolino Araújo do Amaral e foi morar no lugar chamado Paraná da Dona Rosa, mas não deixou de lado sua vocação, tendo fundado e dirigido por muitos anos a Escola Estadual Isolada Mista São Braz, na qual alfabetizou várias gerações de ribeirinhos. Do casamento, nasceram os filhos Ademar Amaral, graduado engenheiro, e José Amaral, cirurgião dentista. A educação dos filhos obrigou a professora largar sua escola do interior por uns tempos, transferindo-se para a capital, onde continuou sua carreira no magistério, nos grupos escolares Dr. Freitas e Vilhena Alves.

Ainda na época de professora em Óbidos, como o salário era pouco, a professora Santana resolveu abrir na própria residência uma turma de reforço na parte da tarde. Nessa turma, ainda criança, foi aceito o aluno Constantino Menezes de Barros que a frequentou pelo período de um ano e deixou a professora Santana muito impressionada pela sua fulgurante inteligência e forte tendência para as ciências matemáticas. Eis o depoimento da professora Santana sobre esse aluno diferenciado: Constantino era uma criança muito inteligente e logo percebi que ele merecia uma escola especial para esse tipo de criança com QI muito acima dos demais. Era vivo, esperto e várias vezes ele corrigia os alunos maiores da 4ª. Série, principalmente nas lições de tabuada e nas quatro operações fundamentais da matemática. Quando havia dúvida entre os alunos, logo eu ouvia aquela voz com um “eu xei, eu xei professora”. Ia para a lousa e resolvia a conta com muita facilidade. Portanto, pelo menos pra mim não houve surpresa sobre o que aconteceu depois na carreira de inteligente menino que, desde tenra idade já revelava suas qualidades de gênio e é motivo de orgulho para todos os seus conterrâneos.

Assim, a  Professora Santana foi uma das primeiras que ensinou o genial Matemático Constantino de Menezes Barros.

Excertos de artigo do professor João Batista do Nascimento, publicado em 31/05/2013, Blog Chupa Osso = www.chupaosso.com.br/index.php/obidos/educacao/2209-professora-santana-candidata-a-melhor-docente-do-ensino-basico-paraense.
Sobre o autor, consultar: http://lattes.cnpq.br/5423496151598527.
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