N. 19 – Belém/PA - Novembro/Dezembro - 2014

Seção: Mulheres, Política e Poder

Maria Luzia Miranda Álvares


Mulheres na Política: Belterra, próxima parada


Na eleição de 2008, o município de Belterra elegeu quatro vereadoras: Laurinda Mota, Maria Creunilda Ribeiro (presidente da Câmara), Maria de Lourdes e Eliselma de Sousa[1]. Com objetivo de entrevistar essas parlamentares, Adson Pinheiro e Manuela Cavalléro, bolsistas do projeto Mulheres na Política: histórias de percursos e práticas, foram a Belterra[2] e depois a Santarém onde também já estavam agendadas entrevistas com a prefeita e uma vereadora.

Neste sentido, Adson e Manuela, num primeiro momento, ouviram as histórias de vida de Nilda Paixão, que discorreu sobre as situações difíceis pelas quais passou a Câmara de Vereadores, desde denúncias de improbidade  administrativas e  CPI à  cassação do mandato de uma das vereadoras e do presidente da Câmara. Em complementação ao relato, a entrevistada referiu que sofreu perseguições do Partido dos Trabalhadores (PT), ao qual eram filiados ela e o  prefeito que denunciara. Esses eventos a fizeram sair do PT e filiar-se ao Partido Social Democrata (PSD), onde concluiu o mandato. Declarou também que espelhou sua vida política na figura da mãe sempre envolvida no cenário politico local, embora não tivesse  cargo eleitoral.

Laurinda Mota é belemense e durante alguns anos morou em Manaus. A relação dela  com a cidade de Belterra iniciou ao casar-se com um belterrense. Quando a vila se transformou em município, veio, com a família, residir em Belterra atendendo convite do prefeito para a implementação de um posto de gasolina e, consequentemente, ajudar no desenvolvimento da cidade. A partir disso é que se inicia a trajetória política da vereadora, propiciada também pelo envolvimento dela, entre outros, em: gincanas; coordenação/associação de grupos de jovens em risco social; cursos de capacitação; eventos culturais. Essas atividades fizeram com que as pessoas a vissem como uma possível representante da população local. Tanto assim que o marido dela ofereceu o próprio nome ao PMDB, mas o presidente do partido preferiu o da vereadora para a candidatura.

No Diretório Municipal dos Democratas (DEM), a vereadora Maria de Lourdes (Malu /nome político) foi entrevistada pela bolsista Manuela Cavalléro. Referiu ser natural de Iporã-PR, porém se considera paraense, visto que ainda criança veio com a família morar em  São Pedro KM 5/Santarém. Nesse povoado, trabalhava na roça e se deslocava para vender verduras na sede, pelo que ganhou o apelido de “a moça da verdura” e, assim, começou sua inserção na vida pública, tornando-se 3 vezes presidente da comunidade de São Pedro. Mesmo avessa a cargo político em razão do imaginário de corrupção, para representar a comunidade de São Pedro em Belterra, se candidatou e foi eleita vereadora; e na segunda campanha recebeu  convite para se candidatar a vice-prefeita. Arguida sobre outras histórias de vida, relatou: a gerência  da construção de uma igreja católica na comunidade de São Pedro; o voluntariado da pastoral da criança; a formação na área de Gestão Pública como suporte à carreira política.

Maria Luzia Miranda Álvares é Doutora em Ciência Política, Coordenadora do GEPEM/UFPA e uma das pioneiras dos estudos de mulher e gênero, no Pará, desenvolvendo trabalhos sobre a temática feminismo, mulher e gênero, com incursões sobre o entrelaçamento das representações socioculturais nas estruturas de poder.

Texto extraído de Relatório de Pesquisa elaborado por Manuela Cavalléro e Adson Pinheiro, bolsistas do GEPEM (Grupo de Estudos e Pesquisas “Eneida de Moraes” sobre Mulher e Relações de Gênero).