N. 19 – Belém/PA - Novembro/Dezembro - 2014

As Mulheres, as Memórias e o Compromisso das “Primaveras” *

“Aprendi com as primaveras a me deixar cortar para poder voltar inteira.” Citando esse fragmento poético de Cecília Meirelles, escritora brasileira, a Dra. Maria Luzia Álvares iniciou a palestra As Tramas da História das Mulheres na Ousadia das Lutas e no Desafio da Memória,** proferida em evento que circunstanciou a programação da 5ª Primavera dos Museus.***

Mostrando imagens e documentos de ontem e de hoje, a conferencista discorreu sobre onde encontrar as mulheres nos lugares de memória coletiva, visto que, possivelmente, elas foram as primeiras a iniciarem o hábito de colecionar objetos, materiais ou culturais, atribuindo-lhes um valor e justificando o porquê de guardarem esse ou aquele artefato. Em seus comentários, a palestrante enfatizou que a preservação dessas peças, ao longo do tempo, apesar de ser vista como “coisas de mulher,” possivelmente contribuiu para registar essa memória e contar a história da humanidade. E desse modo, as mulheres sempre tiveram um lugar na construção da história social.

Segundo a Dra. Luzia Álvares, considerando os Museus como a maneira dinâmica de desafiar as representações e guardar narrativas das tramas femininas, é possível encontrar as mulheres em suas trajetórias, percursos, olhares do “outro;” e na escrita da própria imagem ou através da “pena” dos artistas. E assim, por meio dos documentos, das imagens, das grafias e desenhos, a presença feminina e sua historicidade tendem a ser catalogadas na sociedade.

Na sequência expositiva, a conferencista referiu as lutas das mulheres por direitos, mapeando a temática desde os escritos milenares até à contemporaneidade. Nesse sentido, questionou a inadequação das mulheres no mundo, citando que, apesar de setores da ciência terem formulado/dado suporte a teorias reiterando a inferioridade da mulher em relação ao homem, muitas não se deixaram subalternizar e romperam com papéis sociais, segundo os padrões da respectiva cultura. No conjunto dessa conscientização, a palestrante ressaltou a importância das ações dos movimentos sociais de contestação como o feminismo e o sufragismo, assim também, o advento da pílula anticoncepcional que revolucionou costumes e promoveu a liberação sexual, atingindo as relações afetivas, familiares e as concepções de maternidade; as conferências mundiais reivindicando políticas públicas para mulheres; os estudos e pesquisas sobre o conceito de Gênero na trama das relações sociais, em variados campos do conhecimento e no sentido da garantia dos direitos humanos.

Concluindo a explanação, a conferencista enfatizou a “dança” contemporânea que trata das mudanças nas relações de gênero, nos desafios da arte e da ciência, e no compromisso de as “primaveras” denunciarem a violência contra as mulheres.

*- Noticiário extraído de texto original e PPS elaborados por Maria Luzia Álvares.

**- Para composição dessa Conferência, segundo a expositora, os dados e bibliografia foram extraídos das seguintes fontes: PPS - Fundamentos Culturais para Educação em Direitos Humanos/Rosa Maria Godoy Silveira – História – UFPB  et alii; PPS - Apresentação Mulheres Mey - s/autor s/data; Imagens extraídas da internet  em 07/09/2011.

***- Palestra relativa ao tema Mulheres, Museus e Memória, proferida como parte da programação do evento 5ª Primavera dos Museus, promovido pelo MUFPA (Museu da Universidade Federal do Pará).