N. 19 – Belém/PA - Novembro/Dezembro - 2014

Eneida de Moraes inspira montagem teatral

Ela foi poeta, ativista política, pesquisadora do carnaval brasileiro e definiu o que hoje se convenciona chamar de crônica memorialística. Eneida de Moraes. Um dos nomes paraenses mais festejados em nível nacional. As múltiplas inquietações que transformaram essa mulher única em muitas estão  no espetáculo “Eu Me Confesso Eneida”,  que foi apresentado de 18 a 21 de outubro em Belém, no teatro Claudio Barradas e no Cine Teatro Sesc Boulevard. A montagem tem dramaturgia assinada por Carlos Correia Santos e direção de Edson ChagasLeandro Haick. Em cena, as atrizes Marta Ferreira, Elisângela VasconcelosRosa Marina vivem, simultaneamente, as várias faces e facetas de Eneida. Um embate angustiante e provocativo que vai revelando para a plateia detalhes da densa biografia da famosa nortista.

Paralelo a exibição do espetáculo ocorreram palestras especiais. O  público pode conhecer mais sobre a história desta grande paraense participando da palestra Eneida, o “Pierrot” que veio de Aruanda , no dia 18 com as professoras e pesquisadoras da Universidade Federal do Pará: Luzia Miranda, coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa Eneida de Moraes (GEPEM), e Eunice Santos, autora do livro Eneida, memória e militância política; e no dia de encerramento das apresentações (21), o escritor Carlos Correa Santos falou sobre o processo de criação do espetáculo.

BIOGRAFIA

Contista, cronista, memorialista, Eneida Vilas Boas Costa de Moraes nasceu num palacete situado à rua Benjamim Constant e ali se criou. Filha de Guilherme Costa e Júlia Vilas Boas Costa. Família de posses. O pai era comandante de navio e, assim, desbravava os rios do Estado. Rios que, de um jeito ou de outro, acabariam tomando conta das veias de Eneida, correndo por elas mais do que seu próprio sangue. O amor de Eneida pelo Pará foi tanto que mais verdes do que essas terras só mesmo os olhos da autora, eternos apaixonados por Belém. E justamente este verde estaria no título do primeiro livro. Em 1930, ela publica “Terra Verde”, um livro de poemas com temática amazônica.

Ainda muito jovem, foi morar no Rio de Janeiro, na época, a capital federal. Filiou-se ao Partido Comunista e se posicionou abertamente contra a ditadura Vargas. Por esta razão, foi presa várias vezes. No cárcere, dividiu cela com Graciliano Ramos e Olga Benário. Apaixonada pela cultura do povo, dedicou-se a um profundo estudo sobre o folclore brasileiro. Foliona de grande marca, criou na capital carioca o célebre Baile do Pierrô. Eneida despediu-se das árvores de suas verdes terras num mês de abril. Morreu em 27 de abril de 1971. Atendendo a um pedido seu, como boa comunista, foi sepultada no lado esquerdo do Cemitério de Santa Isabel.

Com informações da Revista Amazônia e site Centro Cultural Sesc Boulevard

Fotos: Divulgação/Pedro Ferreira